O Jogo da Vida
É preciso entender que nós não fomos feitos para ser felizes, ninguém foi feito para ser feliz.
A felicidade é um estado emocional e é como uma fome que precisa de ser saciada, mas insaciável. Porquê? A resposta mais simples. Seleção natural. No passado aqueles que estavam sempre felizes não sobreviviam pois não tinham rumo. Uma forma simples de olhar para isto é procurando observar quais são as maiores fontes de felicidade na vida das pessoas.
Para
a maioria das mulheres ou mesmo homens, por exemplo, o momento em que
viram vir à luz um filho, para algumas pessoas o momento do casamento,
ou ver um filho a andar pela primeira vez, depois temos outras
felicidades menores como comer uma excelente refeição ou estar na
companhia alegre de bons amigos.
Todos cenários lindíssimos. Mas esta
beleza, esta felicidade que vemos neles, vem de um aperfeiçoamento
genético do jogo evolutivo, o jogo que favorece o ser que se dedica à
sobrevivência e reprodução. Daí que estes auges de felicidade estejam
profunda e sublimemente ligados a essas necessidades evolutivas. Aquele
que estava sempre feliz, não tinha necessidade de as cumprir, e por
consequência não tinha tendência a levar uma vida longa ou deixar
herdeiros.
Mas
nem tudo nesta história é infeliz. Se não podemos ser felizes o tempo
todo, o que podemos fazer é tentar ser felizes o maior número de vezes
possível, e elevar a nossa moral para que esteja o melhor possível a
maior parte do tempo, claro que vão haver recaídas, mas assim é a vida, e
voltaremos a estar bem.
O
segredo do jogo? Gratidão. Há uns anos um amigo do coração contava-me a
história do pónei e do apito, onde uma criança nascida em berço de ouro
que recebeu um pónei no seu aniversário, ficava com inveja de uma
criança pobre, que mostrava ser muito mais feliz com um pequeno apito
que tinha recebido, uma lição bastante simplificada de como a felicidade
vem da pessoa e não do exterior da mesma, até o ser mais pobre e nas
condições mais difíceis do mundo pode ser mais feliz que a pessoa mais
afortunada da terra, e esta, por outro lado, pode ser a pessoa mais
infeliz do mundo. O segredo está em saber apreciar o mundo e agradecer
por cada detalhe. Quanto maior a destreza na arte de agradecer, mas
agradecer de coração, mais vezes nos vamos conseguir felizes por muito
difíceis que as situações sejam, pois chegará o momento em que
necessitaremos de pouquíssimo para estarmos em harmonia com a vida.
Então e qual a forma mais eficiente de fazer batota? Amar. Não no sentido banalizado da palavra, mas amar de verdade. De forma incondicional. Sim, sim, discurso religioso a esta hora? Nada disso. Ao criarmos o hábito de fazer algo pelos outros, seja um parceiro numa relação amorosa, um amigo ou mesmo até um desconhecido, sem esperar algo em troca (este detalhe é a chave e é o que torna isto extremamente difícil de alcançar), estamos a aumentar a probabilidade de recebermos algo bom de volta sobre o qual poderemos ser felizes. No entanto, se estivermos a fazê-lo à espera disso, vamos diminuir exponencialmente a alegria de quando recebermos algo e, pior ainda, ficaremos frustrados se não recebermos, que é o exato oposto do que procuramos. Se soubermos aceitar de braços abertos tudo aquilo que recebermos como um bónus e não o pagamento de um "negócio", seremos bem mais realizados.
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