O Bom Arquiteto
Esta falta de concretização na nossa vida quando revolvendo em questões sobre a conexão com os outros, provém por vezes de uma auto consciencialização excessiva do que somos. Como o ditado menciona, “felizes são os ignorantes, pois não têm com o que se preocupar”.
Podemos ser então ignorantes de nós mesmos quando partilhando dos nossos momentos os outros, libertando este espaço mental para nos focar-nos neles, tirando muito mais proveito e criando uma conexão muito mais profunda, permitindo-os mergulhar de verdade na nossa vida.
Note-se que isto se pode observar e talvez seja parte do porquê dos sociopatas e psicopatas serem encarnação da ideologia oposta a esta, pessoas tão focadas em si próprias, em manipular a visão que o mundo tem sobre elas, que não deixam qualquer possibilidade ou abertura para conexão, já que em qualquer momento partilhado com o outro, o foco revolve em torno do próprio, sem um segundo para pensar naqueles que o rodeiam.
Em tempos conversava com alguém querido sobre a necessidade do ser humano de pensar, teorizar e refletir sobre a vida para alcançar o desenvolvimento pessoal, enquanto este me lembrava do quão importante é experimentar a vida, de forma a ter material de teorização e construção.
Por melhor arquiteto que seja o individuo, não conseguirá construir a melhor casa com apenas desenhos e projetos. É necessário sim projetar-se primeiramente a casa, para depois se construir a casa, para então finalmente testá-la e descobrir-se quais as melhorias necessárias, voltando à reflexão e melhoria do projeto inicialmente idealizado.
Um processo cíclico, revolvendo em torno de reflexão e experimentação.
Projetar e construir simultaneamente a casa leva-nos ao caos, ao insucesso e estagnação, pois estaremos a construir sobre redesenhos, voltando à estaca zero sem nunca testar realmente algo, ou encaixando tijolos sobre alicerces agora inexistentes, devido às alterações do nosso projeto (ideologia).
Saibamos então separar a projeção, mundo nosso onde reside a reflexão, o foco e construção de nós mesmos, o que somos e como interagimos com o que nos rodeia, da construção da casa e vida, concretização desse mundo com aqueles à nossa volta, onde seguimos construindo e vivendo, sem nos preocupar com o ajustar do projeto.
Preocupemo-nos em assentar os nossos tijolos firmes, um de cada vez, ao invés de confirmar a cada momento se seria aí que esse tijolo deveria estar colocado.
Projetamos sonhos sozinhos, construimos realidades com os que nos rodeiam.
N. H.
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