Romantização do Amor

 

Base - Parte Um (2021):

É necessário entender que a romantização que foi feita sobre o conceito de amor foi levada longe demais, principalmente quando nos referimos a amor numa relação a dois. A relação onde ambos se encaixam perfeitamente, satisfazem todos os quereres e necessidades um do outro, tornando-se a base de felicidade um do outro, é um conceito que, para além de utópico, é extremamente tóxico. A relação amorosa de bom desempenho, na sua base e na essência, não deve ser mais do que dois amigos que estão juntos para partilhar uma ligação mais íntima da sua vida, mas que continuam a ser amigos, não devem nada um ao outro, apenas serem eles próprios, onde as mesmas divergem é apenas no tipo de amigo intimo que cada pessoa gostaria de ter.

Um parceiro não é responsável por atender ou encarregar-se das nossas necessidades, sejam elas físicas ou emocionais. Não pode ser de forma alguma o bode expiatório a quem atribuímos a responsabilidade de nos fazer felizes. Muito menos esperar que o mesmo leia a nossa mente para atender a essas necessidades, se desejamos algo, é nosso dever transmiti-lo a ele(a) claramente, e então aí o mesmo(a) é que tem o direito de decidir se quer atender a esse pedido ou não, caso não atenda, temos sempre o direito de terminar a relação se assim o acharmos melhor.

 

Parte Dois (2023):

Após todo o descarne sobre o amor e relações, reduzindo as mesmas a uma praticabilidade lógica e racional total, privada de sentimentos, encontrei-me a reajustar esta visão tão dura e fria, onde funcionalidade é vista como sinónimo de felicidade.

A filosofia presente de que o outro não é responsável pela nossa vida mantém-se, junto com a crença que toda a media que somos expostos diariamente nos levou a uma romantização idílica sobre as relações amorosas, extremamente prejudicial ao nosso ser.

No entanto, o amor existe para ser encontrado e alimentado, gestos românticos geram sentimentos românticos e o oposto também acontece, vivemos para cuidar, colhendo os frutos do que cuidamos.

A paixão pode não ser eterna mas o amor verdadeiro encontra-se na construção da relação e do outro, procurando uma prosperidade conjunta, não deixando nenhum dos dois para trás, exigindo para isso um elevado nível de comunicação.

Não podemos esquecer que os seres humanos são tão iguais quanto diferentes entre si.

Sendo a linguagem uma ferramenta pobre para concretização e comunicação dos nossos sentimentos e do que somos, continua a ser a melhor que possuímos para alcançarmos o que desejamos, junto com as nossas ações, que por vezes também não são claras pois pendem sempre da interpretação da outra parte.

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